Brasil Energia: Retomada da chamada pública do Gasbol não empolga

RIO DE JANEIRO, 13/07/2020 – A retomada da chamada pública para alocação de capacidade da TBG anunciada pela ANP na última sexta-feira (10/07) não despertou entusiasmo no mercado. A chamada, que foi interrompida em março, em virtude da pandemia do novo Coronavírus, disponibiliza 10,8 milhões de m3/d de capacidade de transporte no Gasbol, que não foram arrematados pela Petrobras na primeira chamada, realizada em 2019. No entanto, a incerteza sobre a demanda do mercado, diante da instabilidade da economia, esfria o interesse de potenciais contratantes.
Outro fator que reduz o potencial de sucesso da nova chamada é baixa flexibilidade de oferta. Mais uma vez, a chamada de capacidade se limita a uma única transportadora. Com isso, na prática, a YPFB deve ser a única carregadora presente, uma vez que a Petrobras está fora desta rodada, em função do termo de renúncia assinado com a empresa boliviana em março, no âmbito do GSA (Gas Sale Agreement).
Rivaldo Moreira Neto, CEO da consultoria Gas Energy, acredita que a curta duração do contrato oferecido, de setembro a março de 2020, também diminui o interesse do mercado. Para ele, não será desta vez que a chamada pública de uma transportadora vai finalmente destravar o setor de gás natural. O que não quer dizer que ela não tenha utilidade. “Do ponto de vista regulatório, ela é importante para testar os procedimentos de comercialização da capacidade de transporte, para que o mercado conheça melhor as regras, mas não para negociações efetivas nesse momento”, avalia.
Para Rivaldo, os produtores precisam dar vazão ao gás natural, uma vez que, pela nova regulação do setor, não podem mais vender o produto para a Petrobras. E do lado da demanda, as empresas precisam mais do que nunca de fontes de energia competitivas para enfrentar a crise. “Portanto, temos oferta e demanda, que são o mais importante”, diz.
FLEXIBILIDADE – Rivaldo aponta dois fatores para que as próximas chamadas públicas de transporte de gás de fato resultem em novos negócios. “É preciso que elas sejam coordenadas, com pelo menos duas transportadoras, para dar mais flexibilidade às ofertas”, diz. “E é preciso encontrar mecanismos que garantam à oferta para quem contratar a retirada do gás.”
O resultado da chamada pública para alocação de capacidade da TBG será divulgado no próximo dia 13/08, com início de prestação de serviço previsto para 01/09. A chamada prevê a oferta de 10,08 milhões de capacidade no ponto de entrada de Mutum e a totalidade da capacidade em cada uma das zonas de saída do Gasbol, com as mesmas tarifas aplicadas aos contratos firmados na chamada pública n°01/2019.

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