Agência Estado: Novas plataformas em Búzios vão garantir à Petrobras ganhos de rentabilidade, dizem analistas

Por Wagner Gomes

SÃO PAULO, 24/07/2020 – A contratação de três novas plataformas para o campo de Búzios, anunciada hoje pela manhã pela Petrobras, vai garantir à companhia um bom aumento de lucratividade, na avaliação de analistas. As unidades fazem parte de um plano de instalação de 12 Floating Production Storage and Offloading (FPSO) no mega campo de búzios, que se tornará o maior e mais rentável da empresa com a produção de mais de 2 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

“Esse é um investimento que deve gerar muito dinheiro para a Petrobras, muita lucratividade. Desde que começou a produção no pré-sal, os custos já foram bem reduzidos. Vamos dizer que naquela época o petróleo era cotado a US$ 50 e o custo de produção chegava a US$ 30, um ganho de US$ 20 para a Petrobras. Hoje, com o petróleo a US$ 40 e o custo de produção a US$ 10 o ganho chega a US$ 30 dólares. E qualquer novo investimento agora no pré-sal vai gerar ainda mais receita para a Petrobras”, diz.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, explica que o campo de Búzios é um ativo de classe mundial e um grande diferencial competitivo da companhia. Ele também acredita que a instalação das novas plataformas faz parte de um plano de desenvolvimento da Petrobras para reduzir custos de produção e elevar os ganhos. O analista diz que a ação “corrobora com o que foi apresentado no relatório de vendas e produção da petroleira anunciado nesta semana, que informou maior participação do pré-sal no mix de produção”.

“A produção no pré-sal passou de 59% no primeiro trimestre para 61% no segundo trimestre, representando dois terços do total. Búzios, um ativo que não existe igual no mundo, é fundamental para aumentar a produção nesse segmento. Então, um anúncio como esse, juntamente com os teasers de venda de gás e energia, de operações em terra e águas rasas e de venda das refinarias, se encaixa no quebra cabeça da companhia de produzir e explorar o pré-sal para aumentar a sua rentabilidade. Isso tudo contribui para a empresa ganhar valor e aumentar o seu ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização]”, afirma Arbetman.

Segundo a Petrobras, a primeira das três novas plataformas, chamada de FPSO Almirante Tamandaré, tem sua produção prevista para o segundo semestre de 2024. O FPSO será afretado com capacidade de processamento diário de 225 mil barris de óleo e 12 milhões de m³ de gás, e será a maior unidade de produção de petróleo a operar no Brasil e uma das maiores do mundo, segundo a estatal. As duas demais unidades (P-78 e P-79) serão contratadas na modalidade Engineering, Procurement and Construction (EPC) e terão capacidade para processar diariamente 180 mil barris de óleo e 7,2 milhões de m³ de gás, cada uma. A previsão é de que as plataformas entrem em operação em 2025.

Rivaldo Moreira Neto, CEO da Gas Energy, explica que o campo de Búzios, que a Petrobras contratou em parceria com a CNODC e CNOOC no leilão de excedente da cessão onerosa no ano passado, representa o grande ativo da companhia para os próximos dez anos. Segundo ele, isso fica claro considerando o bônus de exploração de quase R$ 70 bilhões que foi pago no leilão. Moreira Neto diz que esse campo tem um papel essencial no portfólio de projetos da Petrobras, uma vez que se trata de uma área de reservas conhecidas, com produtividade comprovada muito grande, custos decrescentes e com enorme volume de petróleo a ser explorado.

“As três primeiras plataformas para a área dos excedentes da cessão onerosa, recém anunciadas, podem agregar, juntas, pelo menos mais de 500 mil barris por dia ao portfólio da estatal. O fato é que a Petrobras está se preparando para gerar o máximo de resultado possível com esses investimentos a médio prazo, à medida que reduz custos, vende ativos e foca no core da empresa que é a exploração do pré-sal, numa estratégia em que Búzios tem papel central”, conclui.

Voltar